quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

HISTÓRIA DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL



Por Ir.'. Zanini



"Há um pensamento maçônico internacional onde diz que 'para se unirem basta seguir os rituais centenários da Maçonaria e serem verdadeiros maçons'.

"A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós fomos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na Maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes."

(Extraído do livro "Antologia maçônica", de Ambrósio Peters)


O Grande Oriente do Brasil (GOB) é a mais antiga Potência Maçônica brasileira (associação de Lojas Maçônicas, também chamada de Obediência Maçônica). 

O GOB participou ativamente em momentos cruciais da história brasileira, como a abolição da escravatura, proclamação da república e a independência do Brasil.

A Maçonaria (forma reduzida e usual de Franco-maçonaria) foi uma sociedade secreta no passado, hoje é uma sociedade discreta, de caráter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia e igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática e filosófica.

A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria e pugna pelo aperfeiçoamento moral, social e intelectual da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas e corretamente designadas) Lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si."

O Grande Oriente do Brasil possui, hoje, aproximadamente 2.400 Lojas e cerca de 97.000 filiados. É a maior Obediência Maçônica do mundo latino e reconhecido por toda a Maçonaria Regular. Destacam-se suas fraternais relações com a Grande Loja Unida da Inglaterra (com o Primeiro Tratado realizado em 1919, e depois ratificado em 1935), e com todas as Obediências Maçônicas regulares da Europa e América do Norte.

História

Foi fundado em 17 de junho de 1822, a partir de três Lojas Maçônicas: Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Nictheroy.

Seu primeiro Grão Mestre foi José Bonifácio de Andrada e Silva que após a fundação do Grande Oriente do Brasil passou a ser membro da Loja Maçônica Esperança de Nictheroy. Em 4 de outubro de 1822, veio o segundo Grão Mestre, o então Príncipe Regente e logo depois Imperador D. Pedro I. Em 1843, instalou-se o GOB no Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro.


Em 1960, sua sede administrativa se mudou para Brasília, com sua instalação em 1978 no Palácio Maçônico "Jair de Assis Ribeiro", uma homenagem ao Soberano Grão-Mestre de Honra do Grande Oriente do Brasil e do Grande Oriente do Estado de Goiás, chamado de "O Construtor". O imponente edifício, suspenso e em formato triangular, possui área construída de mais de 7.800 metros quadrados.


Grandes Dissidências

Primeira Grande Dissidência - 1927 

Em 1927 após surgiram as Grandes Lojas Brasileiras de uma dissidência do GOB. Se fizermos as contas, constataremos que de 1822 para 1927 transcorreram exatamente 105 anos. As Grandes Lojas formam a CMSB. Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil – um sistema confederado.

Esse "Cisma" provocou graves consequências para a Maçonaria Brasileira, não provocando apenas a evasão de Lojas do Grande Oriente do Brasil para outras Potências, fomentou também a discórdia entre Maçons, principalmente aqueles que desconhecem, ou ignoram que a Maçonaria , seja qual for a denominação, ou titularidade que se lhe venham dar, é, por sua natureza universal e anti-dogmática, indivisível.

Como se isso não bastasse, pouco tempo depois, Getúlio Vargas implanta a ditadura do chamado "Estado Novo", com receio do crescimento do movimento Integralista Brasileiro que tinha como líder Nacional Plínio Salgado. A ditadura, também não suportava os ideais Maçônicos e moveu terrível perseguição aos Maçons Liberais, fechando consequentemente, a maioria das Lojas.

Mesmo com tudo isso o Grande Oriente do Brasil, continuou como ponta de lança da Maçonaria, em diversas questões nacionais, como: 

- anistia para presos políticos, durante períodos de exceção, com estado de sítio, em alguns governos da República; 

- a luta pela redemocratização do país, que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura, que só terminaria em 1945; 

- participação, através das Obediências Maçônicas europeias, na divulgação da doutrina democrática dos países aliados, na 2ª Grande Guerra (1939 - 1945); 

- participação no movimento que interrompeu a escalada da extrema-esquerda no país, em 1964; 

- combate ao posterior desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime autoritário longo demais; 

- luta pela anistia geral dos atingidos por esse movimento; 

- trabalho pela volta das eleições diretas, depois de um longo período de governantes impostos ao país.


Segunda Grande Dissidência - 1973

Transcorridos 151 anos após a criação do Grande Oriente do Brasil, surge a Confederação Maçônica do Brasil - COMAB, da Segunda Maior dissidência do GOB. Reunindo os Grandes Orientes Independentes e congrega Grandes Orientes Estaduais Autônomos em cada Estado da Federação.

Em março de 1973, realizaram-se eleições para os cargos de Grão-Mestre Geral e Grão-Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil. Proclamada a eleição dos candidatos oficiais, inconformados com a decisão, dez Grandes Orientes Estaduais, federados ao Grande Oriente do Brasil, desligaram-se deste proclamando-se Obediências autônomas e independentes, expondo as razões por que o faziam.

Em 4 de agosto de 1973, fundou-se, em Belo Horizonte (MG), o Colégio de Grão-Mestres da Maçonaria Brasileira, congregando, então, as dez Obediências dissidentes São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro, então dissidentes do Grande Oriente do Brasil.

Hoje, são dezoito os Grandes Orientes Estaduais que integram a Confederação Maçônica do Brasil — COMAB, sucessora do Colégio de Grão-Mestes da Maçonaria Brasileira, desde 6 de abril de 1991


Diferença do GOB em relação às demais Obediências

Por ser a mais antiga e tradicional Obediência do Brasil formou, ipso facto, a mais possante e poderosa egrégora da Franco maçonaria.

É a única Obediência reconhecida há muitos anos pela Grande Loja Mãe do Mundo, a Grande Loja Unida da Inglaterra.

É um sistema Federativo onde o Grão-Mestre Estadual tem autoridade limitada. Consequentemente, em caso de desentendimentos de qualquer natureza, pode-se apelar para o Poder Central, para reparar possíveis injustiças reais ou imaginárias.

O relacionamento com os demais Grande Orientes Estaduais é natural e não depende de tratados de amizades.

Possui uma Assembleia Legislativa Federal e uma Assembleia Legislativa Estadual para cada Grande Oriente Estadual federado.

É a Obediência que possui maior número de tratados de reconhecimento com Obediências Maçônicas Estrangeiras.

Por possuir duas Assembleias Legislativas e duas Constituições (Federal e Estadual), não existe o perigo do Grão-Mestre macular a Democracia, perpetuando-se no poder por alteração da Constituição.

O GOB é a única Obediência que teve o Imperador do Brasil como Grão-Mestre e que efetivamente contribuiu na formação Nação Brasileira, até porque as cisões ocorreram apenas a partir do séc. XX.

O GOB adota vários ritos, oferecendo, assim, maiores dados culturais e educativos da Tradição Maçônica. Os Ritos adotados pelo GOB são os seguintes:

- Rito Escocês Antigo e Aceito,

- Rito Brasileiro,

- Rito Adoniramita,

- Rito Moderno (também chamado Rito Francês),

- Rito Schröder (de origem alemã), e o;

- Ritual de Emulação (conhecido erroneamente no Brasil como Rito de York) de linha inglesa. 

Isto constitui um verdadeiro Colégio de Ritos. Basta que a Loja escolha em que rito deseja trabalhar. Naturalmente quem desejar adquirir todos os Rituais para fins de pesquisa, estudo e reflexão basta solicitar a Grande Secretaria da Guarda dos Selos.

O GOB possui uma Ordem de Mérito: Benemérito(25 anos), Grande Benemérito (30 anos), Estrela da Distinção (35 anos), Cruz da Perfeição (40 anos) e Ordem do Mérito D. Pedro I (50 anos). As medalhas e diplomas são remetidos gratuitamente aos irmãos que atingem esse tempo de dedicação à Ordem.

A Grande Loja da Inglaterra transmitiu ao GOB a tradição da Suprema Ordem do Arco Real, Cavaleiros Templários e Cavaleiros de Malta. Foram instalados Capítulos, Preceptórios e Priorados para transmissão dos ensinamentos arcanos dessas Ordens de Iniciação. Tais Ordens constituem fontes sublimes de inspiração, desenvolvimento moral, elevação da consciência e despertar espiritual.

Como é uma Unidade Federativa, foi estruturado no "Espírito das Leis de Montesquieur", ou seja, a tripartição do Poder. Dessa forma, o Grão-Mestre dirige somente o Poder Executivo. Não há ingerência alguma nos assuntos do Poder Legislativo ou do Poder Judiciário.


Relação dos Grão-Mestres Gerais do GOB

2° (1822-1822): D. Pedro I
6° (1850-1863): Luís Alves de Lima e Silva (Honorário)
7° (1863-1864): Bento da Silva Lisboa
8° (1864-1871): Joaquim Marcelino de Brito
13° (1890-1892): Manuel Deodoro da Fonseca
14° (1892-1901): Antonio Joaquim de Macedo Soares
16° (1904-1916): Lauro Nina Sodré e Silva
17° (1905-1905): Francisco Glicério de Cerqueira Leite (Interino)
18° (1917-1919): Nilo Procópio Peçanha
19° (1922-1925): Mario Marinho de Carvalho Behring
20° (1925-1926): Vicente Saraiva de Carvalho Neiva
21° (1926-1927): Joao Severiano da Fonseca Hermes
22° (1927-1933): Octávio Kelly
23° (1933-1940): Jose Maria Moreira Guimaraes
24° (1940-1952): Joaquim Rodrigues Neves
25° (1953-1954): Benjamin de Almeida Sodré
26° (1954-1963): Cyro Werneck de Sousa e Silva
27° (1968-1973): Moacyr Arbex Dinamarco
28° (1973-1978): Osmane Vieira de Resende
29° (1978-1983): Osires Teixeira
30° (1983-1987): Jair Assis Ribeiro
31° (1987-1988): Enoc Almeida Vieira
32° (1988-1993): Jair Assis Ribeiro
33° (1993-2001): Fancisco Murilo Pinto
34° (2001-2008): Laelso Rodrigues
35° (2008-atual): Marcos José da Silva

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