sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

100 ANOS DO IRMÃO LUIZ GONZAGA





No dia 13 de dezembro de 1912, uma sexta-feira, na Fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, município de Exu (Estado de Pernambuco, divisa com os estados do Ceará e Piauí) nasce Luiz Gonzaga do Nascimento, o segundo de nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que na pia batismal da matriz da cidade de Exu, recebe o nome de “Luiz” (por ser dia de Santa Luzia) “Gonzaga” (por sugestão do vigário) e “Nascimento” (por ter nascido em dezembro, mês de nascimento de Jesus Cristo).



Em 1920, aos oito anos de idade, substitui um sanfoneiro em festa tradicional na fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai; canta e toca a noite inteira e pela primeira vez recebe o que hoje se chama cachê; o dinheiro, 20$000, amolece o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro.



A partir daí, os convites para animar festas ou sambas, como se dizia na época, tornam-se frequentes.

Antes mesmo de completar 16 anos de idade, “Luiz de Januário”, “Lula” ou “Luiz Gonzaga” já é nome conhecido em Araripe e em toda a redondeza, a saber em Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.

Em 1929, vira escoteiro e apaixona-se por uma mulher a contragosto da mãe, de quem leva uma surra e foge de casa para a cidade do Crato-CE. O revoltado Luiz Gonzaga fica sabendo que as Forças Armadas estão recrutando voluntários e alista-se no primeiro posto de alistamento do Exército Brasileiro, em 1930. Explode a revolução nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba.

O então Soldado Gonzaga nº 122, corneteiro, segue com o 2º Batalhão de Caçadores para a cidade de Sousa-PB; ainda em missão, segue para as cidades de Belém-PA e Teresina-PI; e depois para os Estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ganha fama no Exército Brasileiro e um apelido: “Bico de Aço”, por ser exímio corneteiro.

Em 1939, dá baixa do Exército Brasileiro e aventureiro, segue para São Paulo; desembarca na Estação da Luz e nas imediações compra a sua primeira sanfona “branca” (todas as seguintes seriam da mesma cor) de 120 baixos.

Nesse mesmo ano volta para o Rio de Janeiro, onde faz amizades e inicia a carreira artística, divertindo marinheiros e desocupados em geral no Mangue, lugar também muito frequentando por malandros e prostitutas. Explode a segunda grande Guerra Mundial, o Brasil é literalmente invadido pela música estrangeira, principalmente a norte-americana.

Em 1940, conhece o guitarrista português Xavier Pinheiro e outros artistas que, como ele, disputam a duras penas um lugar ao sol; toca todo tipo de música, de “blues” a “fox trot”; imita artistas famosos da época, como Manezinho Araújo, Augusto Caldeiros e Antenógenes Silva. Começa a apresentar-se em programas de rádio, como calouro.

Em 1942, começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio se interessam de fato pelo novo cartaz. Enquanto isso, o Brasil declara guerra à Alemanha e seus aliados.

Em 1946, com Humberto Teixeira, compõe e grava a primeira de uma série de 18 parcerias: “No meu pé de Sena”, com sucesso imediato, com seu nome começando a correr o mundo: Europa, Estados Unidos, Japão. Além dessa música, com Teixeira compôs, entre outras, “Asa Branca”, “Juazeiro”, “Légua Tirana”, “Assum-preto”, “Paraíba” e “Respeita Januário”.

Em 1953, grava “A vida do Viajante”, composição do Irmão Hervê Cordovil.

Inicia a vida maçônica em 03 de abril de 1971, na A.'. R.'. L.'. S.'. Paranapuan nº 1477 GOB, Or.'. da Ilha do Governador, do Rito Moderno (ou Francês). Elevado ao Grau de Comp.'. M.'. em 14 de dezembro de 1972 e Exaltado ao Grau de M.'. M.'.  em 05 de dezembro de 1973. Teve como seu "padrinho" o Ir.'. Florentino Guimarães, membro do Quadro da Loj.'. Paranapuan.

Visita de Luiz Gonzaga à A.'.R.'.L.'.S.'.  Calixto da Nóbrega nº 15 GLEPB, Oriente de Sousa-PB (anos 1970).


Na maçonaria, o Rei do Baião encontrou o ambiente ideal para satisfazer a maior das suas necessidades: ajudar os mais pobres. Trabalhou para conseguir telefone, escola, luz e estrada de asfalto para Miguel Pereira, onde possuía propriedade.

Nos Altos Graus maçônicos, foi iniciado no Grau 4, em 29 de agosto de 1984, no Subl.'. Cap.'. Paranapuan, jurisdicionado ao Supremo Conselho do Brasil para o R.'. E.'. A.'. A.'.. Galgou apenas o primeiro dos oito graus então possíveis no filosofismo do Rito Moderno.

Mesmo não sendo frequentador assíduo, devido à série de compromissos, participava dos encontros nas cidades em que visitava, durante as andanças de sanfoneiro pelo Brasil. “Todo canto que chegava e tivesse uma loja maçônica, ele fazia questão de se apresentar, visitar e ajudar. Nós já fomos para Fortaleza, Recife e João Pessoa, e todas foram testemunhas da presença de Luiz Gonzaga”, conta o maçom Almir Oliveira de Amorim, 49, ex-funcionário do Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe) no Exu.

Assinatura de Luiz Gonzaga em Prancha do então Triângulo Maçônico Simbólico Força da Verdade, após Loja e hoje A.'.R.'.L.'.S.'. Luiz Gonzaga nº 59, jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de Pernambuco.


Da amizade com Almir, iniciada em 1976, anos mais tarde surgiria a ideia de mobilizar outros sete irmãos maçons para fundar a primeira loja maçônica do município, a “Força da Verdade”, em 1988. Doou o terreno para a construção do imóvel, comprou materiais e deu dinheiro para ajudar a levantar a casa, localizada na Rua Joaquim Ulisses.  Além disso, o artista deu uma geladeira, até hoje presente na Oficina.

Irmão Almir Oliveira de Amorim e objetos de Luiz Gonzaga que ficam expostos na Loja homônima em Exu-PE.


G.'.A.'.D.'.U.'., nos seus desígnios, requisitou o Ir.'. Luiz Gonzaga para uma outra missão.

Sofrendo de câncer na próstata e osteoporose, passou 42 dias internado no Hospital Santa Joana, na cidade de Recife-PE. Agravados seus males físicos, viajou para o Oriente Eterno na madrugada de 02 de agosto de 1989, com 76 anos de idade, em consequência de parada cardíaca por pneumonia.

Sob comovente manifestação popular, seu corpo foi velado na cidade do Recife, e transportado inicialmente para a cidade de Juazeiro do Norte-CE, terra do Padre Cícero, de quem era muito devoto e daí para sua cidade natal, em Exu, onde foi sepultado.

Componentes do Atual Quadro de Obreiros A.'.R.'.L.'.S.'. Luiz Gonzaga nº 59, jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de Pernambuco.


Pouco tempo depois do falecimento do Rei, a Força da Verdade passou a se chamar Loja Maçônica Luiz Gonzaga nº 59, jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de Pernambuco, situada à Av. Edmundo Dantas, 688.

Selo comemorativo dos 100 anos de Luiz Gonzaga, lançado pelos Correios a 13/12/2012, em Exu-PE, Recife-PE, Juazeiro do Norte-CE, Entre Rios-BA e Brasilia-DF.


Acácia Amarela

A música "Acácia Amarela" nasceu em 1981. O Ir.'. Luiz Gonzaga, achando oportuna uma homenagem musical à Maçonaria, elaborou a letra e o tema musical. O Ir.'. Orlando Silveira deu algumas sugestões e harmonizou a melodia. Concluído o trabalho, a gravação foi realizada em 1982 e incluída no elenco do LP “Eterno Cantador”, da etiqueta BMG-RCA, com arranjo de Orlando Silveira e execução vocal de Luiz Gonzaga.




Ela é tão linda é tão bela
Aquela acácia amarela
Que a minha casa tem
Aquela casa direita
Que é tão justa e perfeita
Onde eu me sinto tão bem

Sou um feliz operário
Onde aumento de salário
Não tem luta nem discórdia
Ali o mal é submerso
E o Grande Arquiteto do Universo
É harmonia, é concórdia
É harmonia, é concórdia.



Biografia do Irmão Orlando Silveira Oliveira Silva

O Irmão ORLANDO SILVEIRA OLIVEIRA SILVA, nasceu em 27 de maio de 1925. Formado em Direito, tem uma vivência mais de 45 anos na profissão de músico, sendo instrumentista, regente, arranjador, compositor e acordeonista. Foi iniciado em março de 1974 na Loja Adonai, Rio de Janeiro.


O pai de Orlando Silveira era músico amador, e foi através dele que se iniciou na música, tocando cavaquinho aos nove anos. Por influência do pai, também, trocou o cavaquinho pelo acordeom, três anos depois. Até os 17 anos tocou apenas de ouvido, porém, a partir daí, dedicou-se seriamente aos estudos musicais.

Entre São Paulo – para onde foi tentar a carreira musical – e o Rio de Janeiro – onde viveu durante muitos anos – estudou com Leo Peracchi, Henrique Morelenbaum e Hans-Joachin Koellreuter, aprofundando-se em teoria musical, orquestração, arranjo e regência.”

Agora, para ver no YouTube uma postagem muito interessante com a música “Acácia Amarela”, clique aqui




Um comentário:


  1. SEM DÚVIDA É UM GRANDE ORGULHO PARA TODOS OS IRMÃOS E EM ESPECIAL PARA NÓS QUE SOMOS DO GOB O GRANDE HOMEM E GRANDE IRMÃO LUIS GONZAGA!!!

    QUE O G:.A:.D:.U:. O TENHA EM SUA JUST:. E PERF:. ETERNA!!!

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