sábado, 29 de dezembro de 2012

HISTÓRIA DO MARTINISMO - 01


 Por Amado Irmão Monte Cristo, S.I.
  



A ORDEM DOS ELUS COHEN DO UNIVERSO
FUNDADA POR MARTINEZ DE PASQUALLY


O nome completo era Jacques de Livron Joachin de la Tour de la Casa Martinez de Pasqually. Nasceu em Grenoble, França, em 1727. Seu pai tinha uma patente maçônica emitida por Charles Stuart, Rei da Escócia, Irlanda e Inglaterra, fechada em 20 de maio de 1738, outorgando-lhe o cargo de Grande Mestre Delegado, com autoridade para levantar templos para a glória do Grande Arquiteto do Universo, e para transmitir a referida Carta Patente a seu filho maior. A patente e os poderes foram transmitidos depois de sua morte a seu filho que tinha 28 anos.

Martinez de Pasqually (1727-1779).



Martinez foi um grande homem que tentou durante toda a sua vida, infundir a espiritualidade à Maçonaria.

A doutrina de Martinez se expõe em um único livro que escreveu: Tratado da Reintegração dos Seres. É um comentário sobre o Pentateuco. Ele fundou uma Ordem não estritamente maçônica, senão composta exclusivamente por maçons: “Ordem dos Cavaleiros Elus Cohen do Universo / Ordem dos Cavaleiros Maçons, Sacerdotes Eleitos do Universo”. Esta Ordem complementava os tradicionais três graus maçônicos, Aprendiz, Companheiro e Mestre, com um sistema de Altos Graus.

Em 1774, Martinez fundou, em Montpellier, França, um Capítulo Maçônico, “Os Juizes Escoceses”. Entre 1755 e 1760, Martinez viajou pela França, recrutando membros para sua organização. Em 1760, fundou em Foix, França, o Capítulo “O Templo Cohen”. Em 1761, fundou em Bordeaux, França, a Loja “A Perfeição Elus Escocesa”. Os membros fundadores foram o Conde D'Alzac, o Marques de Lescourt, os irmãos D'Auberton, de Oasen, de Bobié, Jules Tafar, Morris e Lecembard.

Em 26 de maio de 1763, Martinez enviou sua Patente de Stuart à Grande Loja da França, informando-lhes que havia fundado em Bordeaux, um Templo de cinco graus de perfeição, dos quais Martinez era o fiador, sob os termos da patente do “Rei Stuart da Escócia, Irlanda e Inglaterra, Grande Mestre de todas as Lojas espalhadas sobre a face da Terra”. O nome da Loja foi trocado para “A Francesa Elus Escocesa”. Em 1° de março de 1765 a Grande Loja da França aprovou e registrou esta Loja.

Em 1765, Martinez viajou a Paris, de onde organizou sua futura Loja parisiense. Em 21 de março de 1757, fundou o “Tribunal Soberano dos Elus Cohen”, com Bacon de la Chevaliere como seu Delegado. Desde 1770 o Rito dos Elus Cohen tinha templos em numerosas cidades: Bordeaux, Montpellier, Avignon, Foix, La Rochelle, Verssailles, Paris e Metz. Um templo se abriu em Lyon e graças ao entusiasmo do discípulo Jean Baptiste Willermoz, esta cidade se converteu em um centro espiritual desta Ordem por muitos anos. Em 20 de setembro de 1774, Martinez faleceu em Port aux Prince, Haiti.

A Ordem dos Elus Cohen se dividia em três classes:

Primeira Classe: Continha os três graus da Maçonaria Simbólica, a saber 1) Aprendiz, 2) Companheiro e 3) Mestre e mais um quarto grau de 4) Grande Eleito ou Mestre Particular.

Segunda Classe: compreendia os chamados Graus do Pórtico ou Átrio, de 5) Aprendiz-Elus Cohen, 6) Companheiro-Elus Cohen e 7) Mestre-Elus Cohen.

Terceira Classe: continha os Graus de Templo, de 8) Grande Mestre Elus Cohen, 9) Cavaleiro do Este ou Grande Arquiteto e 10) Comandante do Este ou Grande Eleito de Zorobabel. 

Além deste, existia um grau secreto: o de 11) Reau-Croix, que não se deve confundir com o grau Rosa Cruz, que apareceria mais tarde na Maçonaria. Neste grau, o iniciado se colocava em contato com os planos espirituais além do físico, através de invocações mágicas e práticas teúrgicas. O objetivo da Ordem era alcançar a visão beatífica do Reparador Jesus Cristo, como resposta a suas evocações mágicas.

Martinez conferiu o título de “Juiz Soberano e Superior Incógnito da Ordem” a seus discípulos Bacon de La Chevaliere, Johan Baptiste Willermoz, de Serre, Du Roy, D'Hauterive e de Lusignan.

Jean Baptiste de Willermoz (1730-1824).

Antes de sua morte, ocorrida em 1778, Martinez havia designado como sucessor, seu primo Armand Cagnet de Lestére, que faleceu em 1778, logo após transmitir seus poderes ao “Mui Poderoso Mestre” Sebastian de las Casas. A continuação suscitou numerosas disputas nos templos da Europa e geraram divisões que impediram unificar o Rito. Supõe-se que se transmitiu de pessoa para pessoa, dentro de cenáculos conhecidos como Areópagos Kabalísticos, de nove membros da Ordem. Um dos últimos nomes que se dispõe é o de um tal Destigny, que morreu em 1868.

Ao finalizar a Segunda Guerra Mundial, três iniciados S.I. fundaram uma Ordem Martinista dos Elus Cohen. Um deles foi o Grande Mestre Robert Ambelain (Sar Aurifer), com materiais diversos. Esta Ordem pratica o caminho teúrgico dos Elus Cohen, porem é muito duvidoso que seja a continuação dos mesmos. Em 22 de agosto de 1996, Sar Aurifer vivia em Paris, França.

Nota: Em 1895, Papus admitiu possuir rituais e arquivos originais da Ordem dos Elus-Cohen, que chegaram a suas mãos, seguindo o seguinte trajeto:

1) os arquivos passaram primeiro pelas mãos de Willermoz, aproximadamente em 1782;
2) de Willermoz passaram para as mãos de seu sobrinho;
3) deste sobrinho para a viúva do mesmo;
4) desta viúva para M. Cavernier, um estudante de ocultismo;
5) que por mediação de um vendedor de livros chamado M. Elie Steel, Papus foi posto em contato com Carvenier;
6) que permitiu a Papus copiar os principais documentos.



Os ensinamentos dos Elus Cohen

Brasão da Ordem dos Elus Cohen.

Arthur Edward Waite indica os seguintes estudos dos “Sacerdotes Eleitos” ou “Elus Cohen”. Os três primeiros graus são maçônicos. Os seguintes tratam de:

Quinto Grau Aprendiz Eleito Cohen: a instrução deste grau divide o conhecimento sobre a existência do Grande Arquiteto do Universo e sobre o princípio da emanação espiritual do homem. Mesmo a Ordem é emanada do Criador e tem sido perpetuada até nossos dias por Adão, de Adão para Noé, de Noé para Melquizedeque, portanto a Abraão, Moisés, Salomão, Zorobabel e Cristo. O sentido desta transmissão dogmática é que sempre tem existido uma Tradição Secreta no mundo, e que sucessivas épocas a tem manifestado com sucessivas custódias. È com este sentido que a Ordem diz Ter o propósito de manter o homem e sua virtude primitiva, com seus poderes espirituais e divinos.

Sexto Grau Companheiro Eleito Cohen: o estudante aprende a Caída do Homem. Ele é passado da perpendicular ao triângulo, ou da união do Primeiro Princípio ao da triplicidade das coisas existentes. O grau de Companheiro tipifica essa transição. Ao Candidato desfazer a Queda, na qual seu próprio espírito se acha submerso.

Sétimo Grau Mestre Eleito Cohen: simbolicamente o Candidato passa do triângulo ao círculo. Trabalha nos círculos de expiação que dizem ser seis, em correspondência com as seis concepções utilizadas pelo Grande Arquiteto na construção do Templo Universal. Se explica o simbolismo do Templo de Salomão. Estimula-se os membros deste Grau a caridade, aos bons exemplos e a todos os deveres da Ordem, para a reintegração de seus princípios individuais, simbolizados no Mercúrio, o Enxofre e o Sal.

Oitavo Grau Grande Mestre Eleito Cohen Particular: o candidato entra no círculo da reconciliação. Estimula-o a abraçar a causa da luta contra o mal sobre a terra, que tenta destruir a Lei divina. Devem ser soldados do Reconciliador, o Cristo. Se adverte o candidato a não ingressar em ordens secretas que pervertem os ensinamentos recebidos. Simbolicamente o candidato tem 33 anos.

Nono Grau Grande Arquiteto ou Cavaleiro do Este: simbolicamente o candidato tem 80 anos. É um Grau de Luz e o Templo se abre com todas as luzes acesas. Existem quatro Guardiões, que representam aos quatro ângulos dos quatro pontos cardeais do céu. Se estudam os mistérios das Tábuas Enoquianas de John Dee.

Os membros deste grau se ocupam da purificação de seus sentidos físicos, de modo a poder participar na obra do Espírito Santo. Se lhes instrui a construir novos Tabernáculos e a destruir os antigos. Estes quatro tabernáculos são: 1) O corpo do homem; 2) O corpo da mulher; 3) O Tabernáculo de Moisés; 4) O Tabernáculo do Sol, ou Tabernáculo temporal espiritual no qual o Grande Arquiteto do Universo destinou conter os nomes sagrados e palavras sagradas de reação espiritual e material. Se pronuncia o nome de Cristo pela primeira vez no Rito.

Décimo Grau Grande Eleito de Zorobabel ou Comandante do Este: o Candidato trabalha sobre a Redenção. É muito pouco do que se pode dizer desse Grau.

Décimo Primeiro Grau Cavaleiro Reaux Croix: sem dados. Supõe-se que simboliza a realização de Cristo.

ORIGEM DA MAÇONARIA - PARTE 01


Por SGCMRAB





Para entender a grande divisão da Maçonaria em Graus Simbólicos e Altos Graus, é preciso compreender o que ocorria nas Ilhas Britânicas e na França, nos séculos XVII e XVIII. A Inglaterra e seu vizinho do Norte, a Escócia, tinham uma convivência turbulenta para dizer o mínimo. A Escócia, desde há muito, era aliada tradicional da França, por sua vez inimiga tradicional da Inglaterra.

TUDOR - Elizabeth I (1533-1603), morre sem deixar herdeiros



O cenário político Em 1603, Elizabeth I, Rainha da Inglaterra, indicou o filho de sua grande rival, Mary Stuart, rainha da Escócia, como seu sucessor. James I, que era Rei da Escócia como James VI, passa a governar também a Inglaterra e a Irlanda, dando início à dinastia dos Stuarts. Foi sucedido por seu filho, Charles I.

STUART - James I (1566-1625), união das Coroas da Inglaterra e Escócia



Embora Inglaterra e Escócia fossem protestantes. Charles casou-se com uma princesa francesa e católica, Henrietta Maria. Influenciado pelo poder real absoluto na França, tentou impor um governo sem Parlamento. Acabou por levar seus súditos a uma série de conflitos fratricidas (1639-1660).

STUART - Charles I (1600-1649), tenta impor o “direito divino” dos reis; a rainha e os príncipes Stuart seguem para o exílio


Perdeu a luta e foi executado em 1649. Sua Rainha e seu filho, o Príncipe Charles, exilaram-se na França, en- quanto a Inglaterra tornava-se uma república, dirigida com mão de ferro por Oliver Cromwell. Muitas foram as tentativas de reconduzir os Stuarts ao trono britânico no período de Cromwell, mas todas fracassaram.

STUART - Charles II (1630-1685), morre sem deixar herdeiros legítimos


Em 1660, cansado da intolerância religiosa e da ditadura republicana puritana, o povo traz a monarquia de volta à Inglaterra. O Príncipe exilado assume o trono como Charles II e tenta reconciliar diferenças políticas e religiosas. Esse é justamente o período em que emerge das sombras a Franco-Maçonaria.



STUART - James II (1633-1701), irmão de Charles; tenta impor o catolicismo na Grã-Bretanha; segue para o exílio na França.

Entretanto, Charles, apesar dos muitos filhos naturais, morre sem deixar um herdeiro ao trono. Foi sucedido por seu irmão, James II, que não tinha o seu tato. James convertera-se ao catolicismo. Embora desagradando ingleses e escoceses, essa conversão não teria maiores consequências se, em 1688, não tivesse nascido um filho homem, James Edward Stewart.


STUART - Mary (1662-1694) e William (1650-1702), morrem sem deixar herdeiros


Um acontecimento na França veio reacender entre os ingleses a antipatia pelo catolicismo. Quase cem anos antes, em 1598, o Rei Henri IV havia posto fim às terríveis lutas político-religiosas entre católicos e protestantes, que enlutaram a França do século XVI. ao promulgar o Edito de Nantes, Henri garantia liberdades civis e de culto aos protestantes. Mas, em 1685, Louis XIV, o Rei Sol, figura máxima do absolutismo, revogou o Edito de Nantes.

STUART - Anne (1665-1714), morre sem deixar herdeiros


A liberdade religiosa chegava ao fim na França católica, onde também já não mais existia liberdade política.

James Edward (1688-1766), Velho Pretendente


Charles Edward (1720-1788), Jovem Pretendente

Ingleses e escoceses, fartos de lutas religiosas, passaram a considerar inaceitável uma sucessão católica ao trono britânico, uma ameaça real às suas próprias liberdades. O trono foi então oferecido à filha de James II, Mary, casada com William, chefe de estado da Holanda. James foi praticamente deposto e exilou-se na França. Infelizmente, William e Mary faleceram sem deixar herdeiros. A irmã de Mary, a Rainha Anne, que a sucedeu, também não deixou herdeiros.

HANOVER - George I (1660-1727)

O trono foi então oferecido a um Príncipe alemão, bisneto de James I, que iniciou a dinastia de Hanover no trono britânico, sob o nome de George I. Mas os Stuarts tinham muitos partidários dos dois lados do canal. Até a derrota final dos stuartistas ou jacobitas (de Jacobus, forma latina de James), na batalha de Culloden, em 1745, o movimento de restauração da dinastia Stuart ameaçou seriamente a estabilidade da dinastia Hanover.

HANOVER - George II (1683-1760)

A Maioria dos Maçons ignora, mas é nessa rivalidade entre as duas dinastias rivais, Hanover e Stuart, que serão desenhados os Graus Simbólicos e os Altos Graus Maçônicos.


HANOVER - George III (1738-1820)

HANOVER - George IV (1762-1830)


O Cenário Maçônico

Londres, após o grande incêndio de 1666, teve que ser reconstruída. Mas de alvenaria, não mais de madeira e estuque. A grande demanda de pedreiros fez crescer o status e despertou o interesse do público em geral pelo ofício.

“O Grande Incêndio de Londres”, de Lieve Verschuier

Ao mesmo tempo, o clima de distensão, abertura e tolerância atraiu imigração seleta, grandes inteligências, incapazes de aceitar a opressão, como os huguenotes franceses. E permitiu que fossem criadas agremiações onde podiam reunir-se as cabeças pensantes, muitas delas envolvidas no processo londrino de reconstrução geral. Talvez somente na Inglaterra daquela época seria tolerado que um grupo se reunisse a portas fechadas. Em qualquer outro lugar, isso despertaria suspeitas das autoridades. A Royal Society, os clubes, as sociedades e a Franco-Maçonaria afloraram justamente nessa época.

Brasão de armas da Royal Society

Nada mais natural que os Maçons de então fossem dedicados à dinastia Stuart.
Brasão de armas da Grande Loja Unida da Inglaterra

Como vimos, os Stuarts foram afastados do trono em 1688. Bons monarcas ou não, o fato é que eles ganharam uma aura romântica no exílio.

Em contrapartida, o novo Rei britânico, George I, era insípido, grosseiro e impopular. Jamais falou inglês. Seus descendentes foram insípidos e impopulares, quando não escandalosos.

Bem, dirá você, mas o que tem isso tudo a ver com a Maçonaria? Aqui é preciso levar um fator muito importante em consideração.

Nestes tempos de comunicação fácil, não avaliamos o papel das Lojas como centros de irradiação de ideias. Mas as autoridades da época sabiam muito bem. As Lojas e os Maçons, com seus juramentos e segredos, pareciam uma ameaça potencial intolerável. Como aceitar uma sociedade secreta, sabidamente composta por partidários do ancien regime e dispostos a reconduzir ao trono a dinastia Stuart?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

HISTÓRIA DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL



Por Ir.'. Zanini



"Há um pensamento maçônico internacional onde diz que 'para se unirem basta seguir os rituais centenários da Maçonaria e serem verdadeiros maçons'.

"A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós fomos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na Maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes."

(Extraído do livro "Antologia maçônica", de Ambrósio Peters)


O Grande Oriente do Brasil (GOB) é a mais antiga Potência Maçônica brasileira (associação de Lojas Maçônicas, também chamada de Obediência Maçônica). 

O GOB participou ativamente em momentos cruciais da história brasileira, como a abolição da escravatura, proclamação da república e a independência do Brasil.

A Maçonaria (forma reduzida e usual de Franco-maçonaria) foi uma sociedade secreta no passado, hoje é uma sociedade discreta, de caráter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia e igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática e filosófica.

A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria e pugna pelo aperfeiçoamento moral, social e intelectual da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas e corretamente designadas) Lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si."

O Grande Oriente do Brasil possui, hoje, aproximadamente 2.400 Lojas e cerca de 97.000 filiados. É a maior Obediência Maçônica do mundo latino e reconhecido por toda a Maçonaria Regular. Destacam-se suas fraternais relações com a Grande Loja Unida da Inglaterra (com o Primeiro Tratado realizado em 1919, e depois ratificado em 1935), e com todas as Obediências Maçônicas regulares da Europa e América do Norte.

História

Foi fundado em 17 de junho de 1822, a partir de três Lojas Maçônicas: Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Nictheroy.

Seu primeiro Grão Mestre foi José Bonifácio de Andrada e Silva que após a fundação do Grande Oriente do Brasil passou a ser membro da Loja Maçônica Esperança de Nictheroy. Em 4 de outubro de 1822, veio o segundo Grão Mestre, o então Príncipe Regente e logo depois Imperador D. Pedro I. Em 1843, instalou-se o GOB no Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro.


Em 1960, sua sede administrativa se mudou para Brasília, com sua instalação em 1978 no Palácio Maçônico "Jair de Assis Ribeiro", uma homenagem ao Soberano Grão-Mestre de Honra do Grande Oriente do Brasil e do Grande Oriente do Estado de Goiás, chamado de "O Construtor". O imponente edifício, suspenso e em formato triangular, possui área construída de mais de 7.800 metros quadrados.


Grandes Dissidências

Primeira Grande Dissidência - 1927 

Em 1927 após surgiram as Grandes Lojas Brasileiras de uma dissidência do GOB. Se fizermos as contas, constataremos que de 1822 para 1927 transcorreram exatamente 105 anos. As Grandes Lojas formam a CMSB. Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil – um sistema confederado.

Esse "Cisma" provocou graves consequências para a Maçonaria Brasileira, não provocando apenas a evasão de Lojas do Grande Oriente do Brasil para outras Potências, fomentou também a discórdia entre Maçons, principalmente aqueles que desconhecem, ou ignoram que a Maçonaria , seja qual for a denominação, ou titularidade que se lhe venham dar, é, por sua natureza universal e anti-dogmática, indivisível.

Como se isso não bastasse, pouco tempo depois, Getúlio Vargas implanta a ditadura do chamado "Estado Novo", com receio do crescimento do movimento Integralista Brasileiro que tinha como líder Nacional Plínio Salgado. A ditadura, também não suportava os ideais Maçônicos e moveu terrível perseguição aos Maçons Liberais, fechando consequentemente, a maioria das Lojas.

Mesmo com tudo isso o Grande Oriente do Brasil, continuou como ponta de lança da Maçonaria, em diversas questões nacionais, como: 

- anistia para presos políticos, durante períodos de exceção, com estado de sítio, em alguns governos da República; 

- a luta pela redemocratização do país, que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura, que só terminaria em 1945; 

- participação, através das Obediências Maçônicas europeias, na divulgação da doutrina democrática dos países aliados, na 2ª Grande Guerra (1939 - 1945); 

- participação no movimento que interrompeu a escalada da extrema-esquerda no país, em 1964; 

- combate ao posterior desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime autoritário longo demais; 

- luta pela anistia geral dos atingidos por esse movimento; 

- trabalho pela volta das eleições diretas, depois de um longo período de governantes impostos ao país.


Segunda Grande Dissidência - 1973

Transcorridos 151 anos após a criação do Grande Oriente do Brasil, surge a Confederação Maçônica do Brasil - COMAB, da Segunda Maior dissidência do GOB. Reunindo os Grandes Orientes Independentes e congrega Grandes Orientes Estaduais Autônomos em cada Estado da Federação.

Em março de 1973, realizaram-se eleições para os cargos de Grão-Mestre Geral e Grão-Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil. Proclamada a eleição dos candidatos oficiais, inconformados com a decisão, dez Grandes Orientes Estaduais, federados ao Grande Oriente do Brasil, desligaram-se deste proclamando-se Obediências autônomas e independentes, expondo as razões por que o faziam.

Em 4 de agosto de 1973, fundou-se, em Belo Horizonte (MG), o Colégio de Grão-Mestres da Maçonaria Brasileira, congregando, então, as dez Obediências dissidentes São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro, então dissidentes do Grande Oriente do Brasil.

Hoje, são dezoito os Grandes Orientes Estaduais que integram a Confederação Maçônica do Brasil — COMAB, sucessora do Colégio de Grão-Mestes da Maçonaria Brasileira, desde 6 de abril de 1991


Diferença do GOB em relação às demais Obediências

Por ser a mais antiga e tradicional Obediência do Brasil formou, ipso facto, a mais possante e poderosa egrégora da Franco maçonaria.

É a única Obediência reconhecida há muitos anos pela Grande Loja Mãe do Mundo, a Grande Loja Unida da Inglaterra.

É um sistema Federativo onde o Grão-Mestre Estadual tem autoridade limitada. Consequentemente, em caso de desentendimentos de qualquer natureza, pode-se apelar para o Poder Central, para reparar possíveis injustiças reais ou imaginárias.

O relacionamento com os demais Grande Orientes Estaduais é natural e não depende de tratados de amizades.

Possui uma Assembleia Legislativa Federal e uma Assembleia Legislativa Estadual para cada Grande Oriente Estadual federado.

É a Obediência que possui maior número de tratados de reconhecimento com Obediências Maçônicas Estrangeiras.

Por possuir duas Assembleias Legislativas e duas Constituições (Federal e Estadual), não existe o perigo do Grão-Mestre macular a Democracia, perpetuando-se no poder por alteração da Constituição.

O GOB é a única Obediência que teve o Imperador do Brasil como Grão-Mestre e que efetivamente contribuiu na formação Nação Brasileira, até porque as cisões ocorreram apenas a partir do séc. XX.

O GOB adota vários ritos, oferecendo, assim, maiores dados culturais e educativos da Tradição Maçônica. Os Ritos adotados pelo GOB são os seguintes:

- Rito Escocês Antigo e Aceito,

- Rito Brasileiro,

- Rito Adoniramita,

- Rito Moderno (também chamado Rito Francês),

- Rito Schröder (de origem alemã), e o;

- Ritual de Emulação (conhecido erroneamente no Brasil como Rito de York) de linha inglesa. 

Isto constitui um verdadeiro Colégio de Ritos. Basta que a Loja escolha em que rito deseja trabalhar. Naturalmente quem desejar adquirir todos os Rituais para fins de pesquisa, estudo e reflexão basta solicitar a Grande Secretaria da Guarda dos Selos.

O GOB possui uma Ordem de Mérito: Benemérito(25 anos), Grande Benemérito (30 anos), Estrela da Distinção (35 anos), Cruz da Perfeição (40 anos) e Ordem do Mérito D. Pedro I (50 anos). As medalhas e diplomas são remetidos gratuitamente aos irmãos que atingem esse tempo de dedicação à Ordem.

A Grande Loja da Inglaterra transmitiu ao GOB a tradição da Suprema Ordem do Arco Real, Cavaleiros Templários e Cavaleiros de Malta. Foram instalados Capítulos, Preceptórios e Priorados para transmissão dos ensinamentos arcanos dessas Ordens de Iniciação. Tais Ordens constituem fontes sublimes de inspiração, desenvolvimento moral, elevação da consciência e despertar espiritual.

Como é uma Unidade Federativa, foi estruturado no "Espírito das Leis de Montesquieur", ou seja, a tripartição do Poder. Dessa forma, o Grão-Mestre dirige somente o Poder Executivo. Não há ingerência alguma nos assuntos do Poder Legislativo ou do Poder Judiciário.


Relação dos Grão-Mestres Gerais do GOB

2° (1822-1822): D. Pedro I
6° (1850-1863): Luís Alves de Lima e Silva (Honorário)
7° (1863-1864): Bento da Silva Lisboa
8° (1864-1871): Joaquim Marcelino de Brito
13° (1890-1892): Manuel Deodoro da Fonseca
14° (1892-1901): Antonio Joaquim de Macedo Soares
16° (1904-1916): Lauro Nina Sodré e Silva
17° (1905-1905): Francisco Glicério de Cerqueira Leite (Interino)
18° (1917-1919): Nilo Procópio Peçanha
19° (1922-1925): Mario Marinho de Carvalho Behring
20° (1925-1926): Vicente Saraiva de Carvalho Neiva
21° (1926-1927): Joao Severiano da Fonseca Hermes
22° (1927-1933): Octávio Kelly
23° (1933-1940): Jose Maria Moreira Guimaraes
24° (1940-1952): Joaquim Rodrigues Neves
25° (1953-1954): Benjamin de Almeida Sodré
26° (1954-1963): Cyro Werneck de Sousa e Silva
27° (1968-1973): Moacyr Arbex Dinamarco
28° (1973-1978): Osmane Vieira de Resende
29° (1978-1983): Osires Teixeira
30° (1983-1987): Jair Assis Ribeiro
31° (1987-1988): Enoc Almeida Vieira
32° (1988-1993): Jair Assis Ribeiro
33° (1993-2001): Fancisco Murilo Pinto
34° (2001-2008): Laelso Rodrigues
35° (2008-atual): Marcos José da Silva

TÍTULOS E CONDECORAÇÕES DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL - 04


PARA AS LOJAS MAÇÔNICAS FEDERADAS:



BENFEITORA DA ORDEM – GOB


Fará jus ao título de “Benfeitora da Ordem” a Loja Maçônica que satisfazer uma das seguintes condições:

I - ter trinta anos de efetiva atividade, com trabalhos ininterruptos;

II - manter escola;

III - manter orfanato;

IV - manter assistência hospitalar ou asilo pró-velhice;

V - distinguir-se por serviços notáveis prestados à Ordem, à Pátria ou a instituições de utilidade social paramaçônicas ou não maçônicas, julgados pela Comissão de Mérito Maçônico;

VI - manter órgãos de difusão dos princípios morais e culturais maçônicos, concorrendo assim para o engrandecimento da Ordem.



GRANDE BENFEITORA DA ORDEM - GOB

O título de “Grande Benfeitora da Ordem” será concedido à Loja que preencha uma das seguintes condições:

I - ter cinqüenta anos de efetiva atividade, com trabalhos ininterruptos;

II - manter gratuitamente escola com número superior a duzentos alunos.



ESTRELA DA DISTINÇÃO MAÇÔNICA - GOB

A condecoração da “Estrela da Distinção Maçônica” será concedida à Loja que tenha,no mínimo, setenta e cinco anos de efetiva atividade, com trabalhos ininterruptos, ou preencha uma das condições enumeradas nos incisos II e VI do art. 6º do Regimento de Recompensas, e que não tenham constituído motivo para a sua promoção à “Benfeitora da Ordem” ou à “Grande Benfeitora da Ordem”.



CRUZ DA PERFEIÇÃO MAÇÔNICA – GOB

A “Cruz da Perfeição Maçônica”, a mais elevada distinção maçônica, será concedida à Loja que conte, no mínimo, cem anos de efetiva atividade e que atenda o estabelecido no artigo anterior.